Setembro Amarelo: a saúde mental da pessoa idosa também precisa ser vista

Esse enfoque combina muito com o público do IPSEMC porque permite falar de aposentadoria, envelhecimento, solidão, perda de vínculos, autonomia, propósito e rede de apoio, sem transformar a matéria apenas numa lista de estatísticas.

Alguns pontos do material que você trouxe eu manteria, mas não publicaria determinados números sem revisão. Os dados de 5,3; 7,8; 14,8 por 100 mil e principalmente a afirmação de “uma morte para cada quatro tentativas entre idosos” aparecem em materiais secundários e mais antigos. Para uma publicação institucional, é melhor usar informações respaldadas diretamente por Ministério da Saúde, OMS, ABP e CVV.

O que temos de bastante sólido é que o Ministério da Saúde, ao analisar os dados brasileiros de 2010 a 2021, destacou taxas mais elevadas de suicídio entre homens, especialmente homens idosos. Em 2021, o Brasil registrou mais de 15,5 mil mortes por suicídio.

A OMS também chama atenção especificamente para a população idosa. Segundo sua atualização mais recente, cerca de 16,6% das mortes por suicídio no mundo ocorrem entre pessoas com 70 anos ou mais. A organização destaca como fatores associados à saúde mental nessa fase da vida o luto, redução da renda, perda de propósito após a aposentadoria, diminuição da capacidade funcional, isolamento social, solidão, doenças crônicas e situações de abuso.

Isso nos dá uma abordagem muito boa para a matéria:

A aposentadoria pode trazer liberdade e novas possibilidades, mas também representa uma grande mudança de rotina e identidade. Para algumas pessoas, ela coincide com perda de contatos cotidianos, redução da participação social, problemas financeiros, doença, luto ou sensação de não ter mais a mesma utilidade. Esses fatores não significam que alguém necessariamente desenvolverá depressão ou comportamento suicida, mas podem aumentar a vulnerabilidade quando se acumulam. A OMS inclui perda, solidão, problemas financeiros, dor e doenças crônicas entre fatores associados ao comportamento suicida.

Também acho importante corrigirmos uma coisa da pesquisa que você trouxe: Setembro Amarelo não foi criado pelo CVV em conjunto com a ABP em 2014. A própria ABP informa atualmente que sua campanha Setembro Amarelo foi criada em 2013, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

Outro ponto que eu exploraria bastante é este:

Nem todo sofrimento aparece como pedido de ajuda

Na pessoa idosa, é fácil a família interpretar alterações emocionais como simplesmente “coisa da idade”. Mas isolamento progressivo, perda de interesse, desesperança, abandono do autocuidado e falas recorrentes sobre morte ou sobre ser um peso merecem atenção.

Eu evitaria na matéria uma lista muito gráfica de meios ou objetos associados a tentativas. Para comunicação preventiva, é mais apropriado orientar o leitor sobre mudanças de comportamento e como agir, sem detalhar métodos.

E há uma mensagem que considero central:

Perguntar, ouvir e procurar ajuda não incentiva o suicídio. O silêncio e o estigma podem dificultar que uma pessoa em sofrimento procure atendimento.

A própria OMS destaca que o estigma relacionado à saúde mental e ao suicídio é uma das razões pelas quais muitas pessoas não buscam ajuda.

O papel da família e dos vínculos sociais

Aqui temos um ótimo elo com Educação Previdenciária e preparação para aposentadoria. Saúde na aposentadoria não é apenas receber benefício ou ter estabilidade financeira. É também preservar vínculos, ter atividades significativas, continuar participando da comunidade e construir novos projetos de vida.

A OMS afirma que isolamento social e solidão atingem aproximadamente um quarto das pessoas idosas e constituem importantes fatores de risco para problemas de saúde mental nessa fase.

Por isso, a matéria pode trabalhar coisas bastante práticas: manter contato regular com familiares e amigos, participar de atividades coletivas, procurar novos interesses depois da aposentadoria, manter acompanhamento de saúde e não tratar sintomas depressivos como consequência inevitável do envelhecimento.

E onde buscar ajuda?

Aqui vale colocar um quadro destacado no final.

O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias, em todo o Brasil, com apoio emocional sigiloso e anônimo.

Em situação de risco imediato, porém, o correto é procurar um serviço de urgência/emergência de saúde, e não depender apenas do CVV.

Eu faria essa matéria com um título talvez ainda mais forte:

Setembro Amarelo: envelhecer também exige cuidado com a saúde emocional

e subtítulo:

Solidão, luto, mudanças provocadas pela aposentadoria e perda de autonomia podem afetar a saúde mental na terceira idade. Reconhecer sinais e fortalecer vínculos também é prevenção.

Esse, para mim, seria um dos melhores conteúdos de setembro para o blog porque não fica preso à campanha: conversa diretamente com aposentados, pensionistas e servidores que estão se preparando para essa fase da vida.

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