Bets/apostas online: perdas bilionárias, endividamento e impactos na saúde ampliam debate sobre os riscos das apostas online

Estudos apontam perdas de R$ 62,5 bilhões para as famílias brasileiras em 2025, além de impactos econômicos e custos sociais associados à saúde. O IPSEMC chama a atenção para a importância da informação e da reflexão sobre os efeitos das apostas na vida pessoal e familiar.

O crescimento das plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets, tem ampliado o debate nacional sobre seus efeitos na economia, no endividamento das famílias e na saúde da população. Os valores envolvidos nesse mercado e os riscos associados à prática frequente de jogos de aposta têm motivado estudos e discussões sobre a necessidade de maior conscientização.

Diante desse cenário, o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Cabedelo (IPSEMC) considera importante compartilhar informações que contribuam para uma compreensão mais ampla do assunto, especialmente entre aposentados, pensionistas, servidores públicos e seus familiares.

A proposta é apresentar dados e orientações que permitam ao cidadão avaliar, de maneira consciente, como as apostas podem interferir em seu orçamento, em sua qualidade de vida e na segurança financeira de sua família.

Perdas financeiras e impactos na economia

Dados apresentados no Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, estimam que as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões para as plataformas de apostas em 2025.

O montante corresponde à estimativa dos recursos transferidos pelas famílias ao setor de apostas, descontados os valores recebidos de volta, considerando a metodologia utilizada no estudo. Centro Celso Furtado

Os impactos podem alcançar também outros setores da economia.

Uma pesquisa do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP), estimou que a redução do consumo associada às apostas pode ter retirado entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025, o equivalente a aproximadamente 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Esse valor não representa dinheiro diretamente perdido pelos apostadores, mas uma estimativa dos efeitos mais amplos da redução do consumo sobre a atividade econômica. Agência Brasil

Quando recursos que poderiam ser utilizados na aquisição de alimentos, medicamentos, serviços e outros bens são direcionados às apostas, o orçamento familiar pode sofrer restrições, especialmente quando existem perdas frequentes ou utilização de dinheiro destinado às despesas essenciais.

Os riscos para a saúde e os impactos sobre o SUS

Além das consequências financeiras, as apostas podem estar associadas a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e desenvolvimento de comportamento compulsivo.

O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em estudo divulgado em dezembro de 2025, estimou que os danos à saúde associados às apostas e aos jogos de azar podem representar R$ 30,6 bilhões anuais em custos econômicos e sociais.

A estimativa considera impactos relacionados à depressão, ao suicídio, à perda de qualidade de vida e aos tratamentos médicos. Desse total, aproximadamente R$ 3 bilhões correspondem à estimativa de custos com tratamento da depressão.

É importante esclarecer que os R$ 30,6 bilhões não representam exclusivamente despesas hospitalares ou valores efetivamente desembolsados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cálculo inclui custos sociais indiretos, tanto para o poder público quanto para a sociedade. IEPS

O Ministério da Saúde também reconhece os riscos associados ao uso problemático das plataformas de apostas e orienta que pessoas com dificuldades para controlar esse comportamento procurem atendimento na rede pública.

O acolhimento pode começar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com encaminhamento aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) quando houver necessidade de acompanhamento especializado. Serviços e Informações do Brasil

Atenção às plataformas ilegais

Outro aspecto que merece atenção é a utilização de plataformas que operam sem autorização.

Além dos riscos financeiros próprios das apostas, esses ambientes podem expor o usuário a golpes, problemas com o recebimento de valores e utilização indevida de dados pessoais.

No Brasil, as empresas que operam nacionalmente com apostas de quota fixa devem possuir autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Os sites com autorização federal utilizam o domínio “.bet.br”, mas a identificação desse endereço não dispensa a conferência da empresa, da marca e do domínio completo na relação oficial disponibilizada pelo Ministério da Fazenda. Serviços e Informações do Brasil

A consulta pode ser realizada na página oficial:

Ministério da Fazenda — Empresas autorizadas

É importante lembrar que a autorização para funcionamento não elimina os riscos de perdas financeiras ou de desenvolvimento de dependência.

A importância de avaliar os efeitos das apostas na vida pessoal

As decisões sobre a utilização dos próprios recursos financeiros pertencem a cada cidadão. Entretanto, conhecer os riscos envolvidos e acompanhar os valores destinados às apostas são atitudes importantes para evitar que uma atividade inicialmente considerada entretenimento se transforme em fonte de dificuldades.

Uma reflexão necessária é verificar quanto dinheiro já foi utilizado nessas plataformas, qual o saldo entre ganhos e perdas e se a prática tem afetado a capacidade de cumprir compromissos financeiros.

Também é importante observar mudanças de comportamento, como apostar repetidamente na tentativa de recuperar valores perdidos, utilizar dinheiro reservado para despesas essenciais ou recorrer a empréstimos para continuar jogando.

Para aposentados e pensionistas, cuja renda mensal muitas vezes representa a principal fonte de sustento familiar, o comprometimento desses recursos pode trazer consequências para a manutenção das necessidades básicas, a aquisição de medicamentos e a própria tranquilidade financeira.

O objetivo não é interferir na liberdade individual, mas incentivar uma avaliação consciente sobre os efeitos das apostas e a importância de preservar os recursos necessários à qualidade de vida.

O IPSEMC considera que o acesso à informação é um instrumento importante de educação previdenciária e financeira. Conhecer os dados, compreender os riscos e refletir sobre as próprias decisões pode contribuir para escolhas que considerem não apenas o momento presente, mas também a segurança e o bem-estar futuros.

IPSEMC promove roda de conversa sobre saúde mental da pessoa idosa em ação alusiva ao Setembro Amarelo

O Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Cabedelo (IPSEMC) realizou, nesta sexta-feira (18), no Pavilhão do Centro de Convivência do Idoso (CCI/IPSEMC), uma roda de conversa voltada à saúde mental e à valorização da vida, integrando as ações desenvolvidas em alusão ao Setembro Amarelo.

A atividade reuniu pessoas idosas atendidas pelo Centro de Convivência e contou com a participação da Profª Drª Rachel Fonseca, fisioterapeuta e preceptora, além de acadêmicos de Medicina da Afya Paraíba. O encontro proporcionou um espaço de acolhimento, escuta, orientação e troca de experiências sobre questões que podem afetar o bem-estar emocional ao longo do envelhecimento.

Durante a roda de conversa, foram abordados temas como sentimentos, vínculos afetivos, solidão, propósito de vida, convivência social, redes de apoio e a importância de reconhecer situações em que se torna necessário buscar ajuda. A iniciativa também procurou reforçar que o cuidado com a saúde mental deve acompanhar todas as fases da vida e que falar sobre dificuldades emocionais constitui uma importante medida de prevenção e promoção da saúde.

A ação ganha especial relevância no contexto da pessoa idosa, período em que mudanças na rotina, perdas afetivas, afastamento do convívio social, redução da autonomia e outras circunstâncias podem provocar sofrimento emocional. Nesse cenário, fortalecer vínculos familiares e comunitários, estimular a convivência e orientar sobre a procura por apoio psicológico e por outros serviços de saúde são medidas que contribuem para uma melhor qualidade de vida.

Ao promover atividades dessa natureza, o IPSEMC amplia as ações de atenção e educação voltadas aos seus beneficiários, utilizando o espaço do CCI também como ambiente de integração, informação e promoção do bem-estar.

A programação integra a mobilização do Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre saúde mental, prevenção do suicídio e valorização da vida. Mais do que abordar situações de crise, a iniciativa busca incentivar uma cultura permanente de escuta, acolhimento e cuidado.

O IPSEMC agradece a todos os participantes que prestigiaram e contribuíram para este importante momento de diálogo e aprendizado, bem como aos profissionais e acadêmicos da Afya Paraíba, cuja participação foi fundamental para a realização da atividade. O Instituto registra, de modo especial, seu agradecimento à Profª Drª Rachel Fonseca, pela disponibilidade, atenção e contribuição profissional na condução da roda de conversa, fortalecendo uma iniciativa dedicada ao cuidado, à conscientização e à valorização da vida.

Setembro Amarelo: a saúde mental da pessoa idosa também precisa ser vista

Esse enfoque combina muito com o público do IPSEMC porque permite falar de aposentadoria, envelhecimento, solidão, perda de vínculos, autonomia, propósito e rede de apoio, sem transformar a matéria apenas numa lista de estatísticas.

Alguns pontos do material que você trouxe eu manteria, mas não publicaria determinados números sem revisão. Os dados de 5,3; 7,8; 14,8 por 100 mil e principalmente a afirmação de “uma morte para cada quatro tentativas entre idosos” aparecem em materiais secundários e mais antigos. Para uma publicação institucional, é melhor usar informações respaldadas diretamente por Ministério da Saúde, OMS, ABP e CVV.

O que temos de bastante sólido é que o Ministério da Saúde, ao analisar os dados brasileiros de 2010 a 2021, destacou taxas mais elevadas de suicídio entre homens, especialmente homens idosos. Em 2021, o Brasil registrou mais de 15,5 mil mortes por suicídio.

A OMS também chama atenção especificamente para a população idosa. Segundo sua atualização mais recente, cerca de 16,6% das mortes por suicídio no mundo ocorrem entre pessoas com 70 anos ou mais. A organização destaca como fatores associados à saúde mental nessa fase da vida o luto, redução da renda, perda de propósito após a aposentadoria, diminuição da capacidade funcional, isolamento social, solidão, doenças crônicas e situações de abuso.

Isso nos dá uma abordagem muito boa para a matéria:

A aposentadoria pode trazer liberdade e novas possibilidades, mas também representa uma grande mudança de rotina e identidade. Para algumas pessoas, ela coincide com perda de contatos cotidianos, redução da participação social, problemas financeiros, doença, luto ou sensação de não ter mais a mesma utilidade. Esses fatores não significam que alguém necessariamente desenvolverá depressão ou comportamento suicida, mas podem aumentar a vulnerabilidade quando se acumulam. A OMS inclui perda, solidão, problemas financeiros, dor e doenças crônicas entre fatores associados ao comportamento suicida.

Também acho importante corrigirmos uma coisa da pesquisa que você trouxe: Setembro Amarelo não foi criado pelo CVV em conjunto com a ABP em 2014. A própria ABP informa atualmente que sua campanha Setembro Amarelo foi criada em 2013, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

Outro ponto que eu exploraria bastante é este:

Nem todo sofrimento aparece como pedido de ajuda

Na pessoa idosa, é fácil a família interpretar alterações emocionais como simplesmente “coisa da idade”. Mas isolamento progressivo, perda de interesse, desesperança, abandono do autocuidado e falas recorrentes sobre morte ou sobre ser um peso merecem atenção.

Eu evitaria na matéria uma lista muito gráfica de meios ou objetos associados a tentativas. Para comunicação preventiva, é mais apropriado orientar o leitor sobre mudanças de comportamento e como agir, sem detalhar métodos.

E há uma mensagem que considero central:

Perguntar, ouvir e procurar ajuda não incentiva o suicídio. O silêncio e o estigma podem dificultar que uma pessoa em sofrimento procure atendimento.

A própria OMS destaca que o estigma relacionado à saúde mental e ao suicídio é uma das razões pelas quais muitas pessoas não buscam ajuda.

O papel da família e dos vínculos sociais

Aqui temos um ótimo elo com Educação Previdenciária e preparação para aposentadoria. Saúde na aposentadoria não é apenas receber benefício ou ter estabilidade financeira. É também preservar vínculos, ter atividades significativas, continuar participando da comunidade e construir novos projetos de vida.

A OMS afirma que isolamento social e solidão atingem aproximadamente um quarto das pessoas idosas e constituem importantes fatores de risco para problemas de saúde mental nessa fase.

Por isso, a matéria pode trabalhar coisas bastante práticas: manter contato regular com familiares e amigos, participar de atividades coletivas, procurar novos interesses depois da aposentadoria, manter acompanhamento de saúde e não tratar sintomas depressivos como consequência inevitável do envelhecimento.

E onde buscar ajuda?

Aqui vale colocar um quadro destacado no final.

O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias, em todo o Brasil, com apoio emocional sigiloso e anônimo.

Em situação de risco imediato, porém, o correto é procurar um serviço de urgência/emergência de saúde, e não depender apenas do CVV.

Eu faria essa matéria com um título talvez ainda mais forte:

Setembro Amarelo: envelhecer também exige cuidado com a saúde emocional

e subtítulo:

Solidão, luto, mudanças provocadas pela aposentadoria e perda de autonomia podem afetar a saúde mental na terceira idade. Reconhecer sinais e fortalecer vínculos também é prevenção.

Esse, para mim, seria um dos melhores conteúdos de setembro para o blog porque não fica preso à campanha: conversa diretamente com aposentados, pensionistas e servidores que estão se preparando para essa fase da vida.

Prevenção de quedas em pessoas idosas: pequenos cuidados podem evitar grandes consequências

Uma queda pode parecer um acidente simples do cotidiano, mas, para uma pessoa idosa, suas consequências podem ser muito mais sérias. Fraturas, traumatismos, perda de mobilidade e medo de cair novamente estão entre os problemas que podem surgir depois de um episódio e comprometer a autonomia e a qualidade de vida.

O problema também é frequente. Segundo o Ministério da Saúde, estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 28% das pessoas idosas sofrem pelo menos uma queda por ano. Considerando a população idosa brasileira, isso representa aproximadamente 9 milhões de pessoas. O Ministério ressalta ainda que as quedas não devem ser encaradas como uma consequência normal do envelhecimento, mas como um sinal de alerta para a necessidade de avaliar a saúde e o ambiente em que a pessoa vive.

Por que o risco aumenta com o passar dos anos?

O envelhecimento pode vir acompanhado de mudanças na força muscular, no equilíbrio, nos reflexos e na visão. Algumas doenças e determinados medicamentos também podem interferir na estabilidade, provocar tontura ou sonolência e aumentar a possibilidade de uma queda.

Por isso, geralmente não existe uma única causa. Os fatores relacionados à própria pessoa podem se somar às condições do ambiente. Uma alteração no equilíbrio, por exemplo, torna-se ainda mais perigosa quando há um tapete solto, pouca iluminação ou um piso escorregadio no caminho. A literatura sobre prevenção de quedas destaca justamente a importância de analisar conjuntamente condições de saúde, mobilidade, medicamentos e características da residência.

O perigo pode estar dentro de casa

A residência é justamente um dos locais que mais merece atenção. Muitos riscos fazem parte da rotina e, por serem vistos todos os dias, acabam passando despercebidos.

Tapetes soltos, fios atravessando áreas de circulação, objetos no chão, móveis mal posicionados, pisos escorregadios, degraus pouco visíveis e iluminação insuficiente podem favorecer tropeços e quedas. Uma medida simples é observar os caminhos percorridos com maior frequência pela pessoa idosa, especialmente o trajeto entre o quarto e o banheiro durante a noite.

A casa não precisa perder o conforto ou parecer um ambiente hospitalar. O objetivo é fazer adaptações que permitam uma circulação mais segura e, ao mesmo tempo, preservem a independência de quem mora nela.

Atenção especial ao banheiro

O banheiro exige cuidado redobrado porque reúne fatores como água, piso molhado e necessidade frequente de sentar, levantar e mudar de posição.

Manter o piso seco sempre que possível, utilizar material antiderrapante adequado, instalar barras de apoio quando necessárias e garantir boa iluminação são medidas importantes. Dependendo das condições de mobilidade da pessoa, também pode ser necessário avaliar a utilização de banco apropriado para o banho ou outras adaptações.

Um detalhe igualmente importante é deixar toalhas, produtos de higiene e objetos utilizados com frequência em locais de fácil alcance, evitando que a pessoa tenha que subir em bancos, esticar-se excessivamente ou realizar movimentos arriscados.

Iluminação também é prevenção

Uma casa mal iluminada aumenta a dificuldade de identificar obstáculos, mudanças no piso e degraus. Por isso, corredores, escadas, quarto e banheiro devem receber atenção especial.

Durante a noite, o caminho entre a cama e o banheiro precisa estar suficientemente iluminado. Interruptores acessíveis, abajures próximos à cama ou iluminação noturna podem fazer diferença, principalmente para pessoas que apresentam redução da visão ou da mobilidade.

Calçados, roupas e hábitos também fazem diferença

A prevenção não depende apenas de mudanças na residência. Calçados muito largos, escorregadios ou sem firmeza podem prejudicar a estabilidade. A recomendação é dar preferência a calçados confortáveis, bem ajustados aos pés e com solado antiderrapante. Roupas excessivamente compridas também podem favorecer tropeços.

Manter o corpo ativo também é importante. Atividades adequadas às condições individuais podem contribuir para preservar força, mobilidade e equilíbrio. A OMS inclui treinamento de marcha e equilíbrio e intervenções individualizadas entre as estratégias recomendadas para prevenção de quedas em pessoas idosas.

Medicamentos merecem atenção

Alguns medicamentos podem provocar efeitos como tontura, sonolência, redução do estado de alerta ou alterações de pressão, aumentando o risco de quedas em determinadas pessoas.

Isso não significa que o medicamento deva ser interrompido por conta própria. Se surgirem tontura, fraqueza, confusão, instabilidade ao levantar-se ou quedas depois do início ou da alteração de um tratamento, é importante comunicar a situação ao profissional de saúde responsável. A revisão dos medicamentos utilizados faz parte da avaliação dos fatores de risco para quedas.

Já caiu? Não trate o episódio como algo sem importância

Uma queda anterior merece atenção mesmo quando aparentemente não houve ferimento grave. Além da possibilidade de existir algum fator de risco ainda não identificado, muitas pessoas desenvolvem medo de cair novamente.

Esse medo pode fazer com que a pessoa caminhe menos, evite sair de casa ou deixe de participar de atividades que antes faziam parte de sua rotina. A redução do movimento, por sua vez, pode contribuir para perda de força e mobilidade, aumentando a dependência e prejudicando a autonomia. Os materiais analisados destacam que as consequências das quedas podem ultrapassar as lesões físicas e atingir também a confiança e a participação social da pessoa idosa.
Por isso, quedas recorrentes, tropeços frequentes, dificuldade para levantar-se, insegurança ao caminhar, tonturas ou alterações recentes na mobilidade devem ser comunicados aos profissionais de saúde.

Prevenir é preservar a autonomia

Prevenir quedas não significa impedir que a pessoa idosa caminhe, realize suas atividades ou tenha independência. É justamente o contrário: o objetivo da prevenção é criar condições para que ela continue se movimentando e realizando suas atividades com mais segurança.

Pequenas mudanças podem fazer grande diferença: melhorar a iluminação, retirar obstáculos, observar os tapetes, adaptar o banheiro, escolher calçados adequados, cuidar da visão, manter-se fisicamente ativo e acompanhar as condições de saúde.

A prevenção de quedas faz parte do cuidado com um envelhecimento saudável. Segurança e autonomia devem caminhar juntas para que a pessoa idosa possa manter sua independência, sua participação na vida familiar e social e sua qualidade de vida pelo maior tempo possível.

Fontes principais

1. Ministério da Saúde – Saúde da Pessoa Idosa / Prevenção de Quedas
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa

2. Ministério da Saúde – Prevenção de quedas em pessoas idosas: cartilha educativa
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/prevencao_quedas_pessoas_idosas.1edreimp.pdf

3. Organização Mundial da Saúde – Falls
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/falls

4. Revista Tópicos – Prevenção de quedas em idosos: proposta de um guia prático educativo domiciliar
https://revistatopicos.com.br/artigos/prevencao-de-quedas-em-idosos-proposta-de-um-guia-pratico-educativo-domiciliar

5. Sesc São Paulo – Evite quedas: seis ajustes que podem ser feitos em casa
https://www.sescsp.org.br/editorial/evite-quedas-seis-ajustes-que-podem-ser-feitos-no-ambiente-domestico/

Estatuto da Pessoa Idosa: direitos que todo cidadão deve conhecer

Conhecer os direitos da pessoa idosa é fundamental não apenas para quem já chegou aos 60 anos, mas também para familiares, cuidadores, servidores públicos, prestadores de serviços e toda a sociedade.

O Estatuto da Pessoa Idosa, instituído pela Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, reúne garantias destinadas às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. A legislação estabelece que família, comunidade, sociedade e poder público devem assegurar, com absoluta prioridade, direitos como vida, saúde, alimentação, educação, cultura, trabalho, cidadania, liberdade, dignidade, respeito e convivência familiar e comunitária.

Mais do que conceder atendimento preferencial, o Estatuto reconhece a pessoa idosa como cidadã, com autonomia, voz, necessidades e direitos que devem ser respeitados.

A cartilha utilizada como referência também destaca que envelhecer não significa necessariamente possuir limitações ou doenças. A pessoa idosa pode manter uma vida ativa, produtiva e independente, devendo ser protegida de qualquer discriminação motivada pela idade.

Atendimento prioritário

A pessoa idosa tem direito a atendimento preferencial, imediato e individualizado em órgãos públicos e em estabelecimentos privados que prestem serviços à população.

Essa prioridade pode ser aplicada, por exemplo, em:

• bancos, lotéricas e supermercados;
• unidades de saúde e assistência social;
• repartições públicas;
• processos administrativos e judiciais;
• recebimento da restituição do Imposto de Renda.

O atendimento prioritário não deve significar apenas a existência de uma fila ou de um caixa específico. O serviço precisa oferecer condições adequadas, rapidez, acessibilidade, assentos e segurança.

Entre as próprias pessoas idosas, quem possui 80 anos ou mais tem prioridade especial, devendo ser atendido preferencialmente em relação às demais pessoas idosas.

Direito à saúde

O Estatuto assegura atenção integral à saúde da pessoa idosa por meio do Sistema Único de Saúde — SUS, com acesso universal e igualitário às ações de prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde.

Entre as garantias previstas estão:

• atendimento prioritário nos serviços de saúde;
• atenção especial às doenças mais frequentes durante o envelhecimento;
• fornecimento gratuito, pelo poder público, de medicamentos, especialmente os de uso contínuo, além de próteses, órteses e outros recursos relacionados ao tratamento ou à reabilitação;
• direito a acompanhante em caso de internação ou permanência em observação;
• possibilidade de atendimento domiciliar nas situações previstas em lei;
• participação da pessoa idosa nas decisões sobre o próprio tratamento, quando estiver em condições de manifestar livremente sua vontade.

Pessoas com mais de 80 anos possuem preferência especial nos atendimentos de saúde, exceto em situações de emergência, nas quais deve prevalecer a gravidade do quadro clínico.

A cartilha encaminhada também apresenta o direito à saúde como uma responsabilidade do Estado e destaca o atendimento prioritário, o acesso pelo SUS, o acompanhamento durante a internação e o fornecimento de medicamentos e tratamentos.

Transporte e mobilidade

A mobilidade é indispensável para a autonomia, a convivência social e o acesso da pessoa idosa a serviços essenciais.

No transporte coletivo público urbano e semiurbano, a gratuidade é assegurada às pessoas com 65 anos ou mais, mediante apresentação de documento que comprove a idade. A legislação local pode estabelecer condições mais favoráveis ou conceder o benefício a partir dos 60 anos.

Também são garantidos:

• reserva de assentos identificados nos transportes coletivos;
• prioridade e segurança no embarque e desembarque;
• reserva de 5% das vagas em estacionamentos públicos e privados;
• duas vagas gratuitas por veículo no transporte interestadual para pessoas idosas com renda igual ou inferior a dois salários mínimos;
• desconto mínimo de 50% quando as vagas gratuitas interestaduais já estiverem ocupadas, observados os requisitos legais.

A gratuidade urbana, portanto, não deve ser confundida com a regra das viagens interestaduais, que possui critérios próprios de idade e renda.

Liberdade, autonomia e participação social

A pessoa idosa mantém o direito de decidir sobre a própria vida. Isso inclui, entre outros aspectos:

• ir e vir;
• expressar suas opiniões;
• exercer sua crença religiosa;
• participar da vida familiar, comunitária e política;
• praticar esportes e atividades de lazer;
• administrar seus bens, rendimentos, aposentadoria e demais recursos;
• escolher seus relacionamentos, passeios e atividades.

A família não pode retirar arbitrariamente a autonomia da pessoa idosa. Restrições sobre decisões pessoais ou patrimoniais somente podem ocorrer nas situações legalmente reconhecidas, como nos casos de curatela estabelecida judicialmente e dentro dos limites fixados pela decisão.

O material de referência ressalta que a pessoa idosa tem direito à liberdade, à expressão, às suas crenças e à administração de seus rendimentos, salvo quando houver determinação judicial aplicável.

Respeito e dignidade

Envelhecer não diminui o valor, a capacidade ou a condição de cidadania de uma pessoa.

É dever de todos proteger a integridade física, psicológica e moral da pessoa idosa, preservando sua imagem, identidade, autonomia, valores, opiniões, crenças, espaços e objetos pessoais.

Ninguém pode submeter uma pessoa idosa a tratamento desumano, violento, humilhante, aterrorizante, constrangedor ou discriminatório.

Como resume a cartilha, é responsabilidade de todos zelar pela dignidade da pessoa idosa e protegê-la de qualquer tratamento violento, vexatório ou constrangedor.

Proteção contra violência, abandono e exploração financeira

A violência contra a pessoa idosa pode ocorrer dentro ou fora do ambiente familiar e nem sempre deixa marcas visíveis.

Entre as formas de violência estão:

• agressão física;
• violência psicológica ou verbal;
• negligência nos cuidados;
• abandono;
• abuso sexual;
• retenção de documentos;
• apropriação da aposentadoria, pensão ou outros rendimentos;
• contratação de empréstimos sem autorização;
• pressão para entrega de dinheiro, cartões, senhas, bens ou propriedades.

Apropriar-se ou desviar bens, pensões, aposentadorias ou qualquer rendimento da pessoa idosa pode configurar crime.

Familiares, vizinhos, profissionais e demais cidadãos devem estar atentos. Proteger a pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva, e não apenas uma obrigação de seus parentes.

Como denunciar

Qualquer pessoa pode denunciar uma violação de direitos da qual seja vítima ou tenha conhecimento.

As denúncias podem ser feitas gratuitamente pelo Disque 100, a partir de qualquer telefone fixo ou celular. É importante informar, sempre que possível, o local, o que aconteceu, quem é a vítima, quem seria o responsável e se existe risco imediato.

Em situações de emergência ou de violência em andamento, a Polícia Militar pode ser acionada pelo número 190. Também é possível procurar:

• uma delegacia;
• o Ministério Público;
• a Defensoria Pública;
• os serviços de assistência social;
• os conselhos de direitos da pessoa idosa.

Conhecer os direitos também é uma forma de proteção

O Estatuto da Pessoa Idosa não trata a pessoa com 60 anos ou mais como alguém incapaz. Ao contrário, reconhece sua autonomia e determina que o envelhecimento aconteça com dignidade, segurança, liberdade e participação social.

Respeitar esses direitos é uma obrigação legal e um compromisso de cidadania. Afinal, construir uma sociedade que protege e valoriza as pessoas idosas é também cuidar do futuro de todos.

Vacinação também é cuidado: a importância da imunização após os 60 anos

Manter a caderneta de vacinação em dia é uma forma simples e eficaz de proteger a saúde e envelhecer com mais qualidade de vida

Com o passar dos anos, o organismo sofre mudanças naturais que tornam o sistema imunológico menos eficiente no combate a vírus e bactérias. Por esse motivo, a vacinação continua sendo um dos principais cuidados preventivos para pessoas com 60 anos ou mais, contribuindo para reduzir o risco de doenças graves, hospitalizações e complicações que podem comprometer a qualidade de vida.

A imunização é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das estratégias de saúde pública mais eficazes da história, responsável por prevenir milhões de mortes todos os anos em todo o mundo. Na terceira idade, ela representa uma importante aliada para preservar a autonomia, a independência e o bem-estar.

Por que a vacinação é tão importante na terceira idade?

À medida que envelhecemos, aumentam as chances de desenvolver complicações causadas por doenças infecciosas que, muitas vezes, poderiam ser evitadas por meio da vacinação.

Estudos mostram que a imunização pode reduzir em até 45% as hospitalizações por pneumonia e diminuir em até 75% a mortalidade relacionada a essas infecções entre pessoas idosas. Esses resultados demonstram que a prevenção continua sendo um dos melhores investimentos para uma vida mais saudável.

Além da proteção individual, manter a vacinação em dia também ajuda a reduzir a circulação de agentes infecciosos, protegendo familiares, amigos e toda a comunidade.

Quais vacinas costumam ser recomendadas?

O calendário vacinal pode variar conforme a idade, condições de saúde, histórico de vacinação e orientação médica. Entre as principais vacinas recomendadas para pessoas idosas estão:

  • Influenza (gripe): aplicação anual para prevenir complicações respiratórias;
  • COVID-19: conforme as orientações atualizadas do Ministério da Saúde;
  • Pneumocócica: ajuda a prevenir pneumonia, meningite e outras infecções causadas pelo pneumococo;
  • Herpes-zóster: reduz o risco do “cobreiro” e de complicações dolorosas da doença;
  • dT (difteria e tétano): reforço periódico conforme recomendação;
  • Hepatite B: indicada para pessoas não vacinadas anteriormente;
  • Outras vacinas: podem ser recomendadas em situações específicas, como contra o vírus sincicial respiratório (VSR), febre amarela ou meningite, sempre mediante avaliação profissional.

O papel da caderneta de vacinação

Assim como exames preventivos e consultas médicas periódicas, a caderneta de vacinação deve fazer parte dos cuidados com a saúde.

Levá-la às consultas permite que o profissional de saúde verifique se há doses em atraso ou necessidade de reforços, garantindo uma proteção adequada ao longo dos anos.

Vacinação faz parte do envelhecimento saudável

Envelhecer com qualidade de vida envolve um conjunto de cuidados: alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, acompanhamento médico, exames preventivos, convivência social e vacinação.

Pequenas atitudes tomadas hoje podem representar grandes benefícios no futuro. Manter o calendário vacinal atualizado é uma forma de proteger a própria saúde, preservar a autonomia e aproveitar essa fase da vida com mais segurança e tranquilidade.

Fontes consultadas

Os conteúdos acima foram utilizados exclusivamente como referência informativa e educativa para elaboração desta matéria. O IPSEMC não possui vínculo institucional, parceria ou representação com as instituições citadas.