Bets/apostas online: perdas bilionárias, endividamento e impactos na saúde ampliam debate sobre os riscos das apostas online

Estudos apontam perdas de R$ 62,5 bilhões para as famílias brasileiras em 2025, além de impactos econômicos e custos sociais associados à saúde. O IPSEMC chama a atenção para a importância da informação e da reflexão sobre os efeitos das apostas na vida pessoal e familiar.

O crescimento das plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets, tem ampliado o debate nacional sobre seus efeitos na economia, no endividamento das famílias e na saúde da população. Os valores envolvidos nesse mercado e os riscos associados à prática frequente de jogos de aposta têm motivado estudos e discussões sobre a necessidade de maior conscientização.

Diante desse cenário, o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Cabedelo (IPSEMC) considera importante compartilhar informações que contribuam para uma compreensão mais ampla do assunto, especialmente entre aposentados, pensionistas, servidores públicos e seus familiares.

A proposta é apresentar dados e orientações que permitam ao cidadão avaliar, de maneira consciente, como as apostas podem interferir em seu orçamento, em sua qualidade de vida e na segurança financeira de sua família.

Perdas financeiras e impactos na economia

Dados apresentados no Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, estimam que as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões para as plataformas de apostas em 2025.

O montante corresponde à estimativa dos recursos transferidos pelas famílias ao setor de apostas, descontados os valores recebidos de volta, considerando a metodologia utilizada no estudo. Centro Celso Furtado

Os impactos podem alcançar também outros setores da economia.

Uma pesquisa do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Universidade de São Paulo (USP), estimou que a redução do consumo associada às apostas pode ter retirado entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025, o equivalente a aproximadamente 0,9% a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Esse valor não representa dinheiro diretamente perdido pelos apostadores, mas uma estimativa dos efeitos mais amplos da redução do consumo sobre a atividade econômica. Agência Brasil

Quando recursos que poderiam ser utilizados na aquisição de alimentos, medicamentos, serviços e outros bens são direcionados às apostas, o orçamento familiar pode sofrer restrições, especialmente quando existem perdas frequentes ou utilização de dinheiro destinado às despesas essenciais.

Os riscos para a saúde e os impactos sobre o SUS

Além das consequências financeiras, as apostas podem estar associadas a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e desenvolvimento de comportamento compulsivo.

O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), em estudo divulgado em dezembro de 2025, estimou que os danos à saúde associados às apostas e aos jogos de azar podem representar R$ 30,6 bilhões anuais em custos econômicos e sociais.

A estimativa considera impactos relacionados à depressão, ao suicídio, à perda de qualidade de vida e aos tratamentos médicos. Desse total, aproximadamente R$ 3 bilhões correspondem à estimativa de custos com tratamento da depressão.

É importante esclarecer que os R$ 30,6 bilhões não representam exclusivamente despesas hospitalares ou valores efetivamente desembolsados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cálculo inclui custos sociais indiretos, tanto para o poder público quanto para a sociedade. IEPS

O Ministério da Saúde também reconhece os riscos associados ao uso problemático das plataformas de apostas e orienta que pessoas com dificuldades para controlar esse comportamento procurem atendimento na rede pública.

O acolhimento pode começar nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com encaminhamento aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) quando houver necessidade de acompanhamento especializado. Serviços e Informações do Brasil

Atenção às plataformas ilegais

Outro aspecto que merece atenção é a utilização de plataformas que operam sem autorização.

Além dos riscos financeiros próprios das apostas, esses ambientes podem expor o usuário a golpes, problemas com o recebimento de valores e utilização indevida de dados pessoais.

No Brasil, as empresas que operam nacionalmente com apostas de quota fixa devem possuir autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Os sites com autorização federal utilizam o domínio “.bet.br”, mas a identificação desse endereço não dispensa a conferência da empresa, da marca e do domínio completo na relação oficial disponibilizada pelo Ministério da Fazenda. Serviços e Informações do Brasil

A consulta pode ser realizada na página oficial:

Ministério da Fazenda — Empresas autorizadas

É importante lembrar que a autorização para funcionamento não elimina os riscos de perdas financeiras ou de desenvolvimento de dependência.

A importância de avaliar os efeitos das apostas na vida pessoal

As decisões sobre a utilização dos próprios recursos financeiros pertencem a cada cidadão. Entretanto, conhecer os riscos envolvidos e acompanhar os valores destinados às apostas são atitudes importantes para evitar que uma atividade inicialmente considerada entretenimento se transforme em fonte de dificuldades.

Uma reflexão necessária é verificar quanto dinheiro já foi utilizado nessas plataformas, qual o saldo entre ganhos e perdas e se a prática tem afetado a capacidade de cumprir compromissos financeiros.

Também é importante observar mudanças de comportamento, como apostar repetidamente na tentativa de recuperar valores perdidos, utilizar dinheiro reservado para despesas essenciais ou recorrer a empréstimos para continuar jogando.

Para aposentados e pensionistas, cuja renda mensal muitas vezes representa a principal fonte de sustento familiar, o comprometimento desses recursos pode trazer consequências para a manutenção das necessidades básicas, a aquisição de medicamentos e a própria tranquilidade financeira.

O objetivo não é interferir na liberdade individual, mas incentivar uma avaliação consciente sobre os efeitos das apostas e a importância de preservar os recursos necessários à qualidade de vida.

O IPSEMC considera que o acesso à informação é um instrumento importante de educação previdenciária e financeira. Conhecer os dados, compreender os riscos e refletir sobre as próprias decisões pode contribuir para escolhas que considerem não apenas o momento presente, mas também a segurança e o bem-estar futuros.

IPSEMC promove roda de conversa sobre saúde mental da pessoa idosa em ação alusiva ao Setembro Amarelo

O Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Cabedelo (IPSEMC) realizou, nesta sexta-feira (18), no Pavilhão do Centro de Convivência do Idoso (CCI/IPSEMC), uma roda de conversa voltada à saúde mental e à valorização da vida, integrando as ações desenvolvidas em alusão ao Setembro Amarelo.

A atividade reuniu pessoas idosas atendidas pelo Centro de Convivência e contou com a participação da Profª Drª Rachel Fonseca, fisioterapeuta e preceptora, além de acadêmicos de Medicina da Afya Paraíba. O encontro proporcionou um espaço de acolhimento, escuta, orientação e troca de experiências sobre questões que podem afetar o bem-estar emocional ao longo do envelhecimento.

Durante a roda de conversa, foram abordados temas como sentimentos, vínculos afetivos, solidão, propósito de vida, convivência social, redes de apoio e a importância de reconhecer situações em que se torna necessário buscar ajuda. A iniciativa também procurou reforçar que o cuidado com a saúde mental deve acompanhar todas as fases da vida e que falar sobre dificuldades emocionais constitui uma importante medida de prevenção e promoção da saúde.

A ação ganha especial relevância no contexto da pessoa idosa, período em que mudanças na rotina, perdas afetivas, afastamento do convívio social, redução da autonomia e outras circunstâncias podem provocar sofrimento emocional. Nesse cenário, fortalecer vínculos familiares e comunitários, estimular a convivência e orientar sobre a procura por apoio psicológico e por outros serviços de saúde são medidas que contribuem para uma melhor qualidade de vida.

Ao promover atividades dessa natureza, o IPSEMC amplia as ações de atenção e educação voltadas aos seus beneficiários, utilizando o espaço do CCI também como ambiente de integração, informação e promoção do bem-estar.

A programação integra a mobilização do Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre saúde mental, prevenção do suicídio e valorização da vida. Mais do que abordar situações de crise, a iniciativa busca incentivar uma cultura permanente de escuta, acolhimento e cuidado.

O IPSEMC agradece a todos os participantes que prestigiaram e contribuíram para este importante momento de diálogo e aprendizado, bem como aos profissionais e acadêmicos da Afya Paraíba, cuja participação foi fundamental para a realização da atividade. O Instituto registra, de modo especial, seu agradecimento à Profª Drª Rachel Fonseca, pela disponibilidade, atenção e contribuição profissional na condução da roda de conversa, fortalecendo uma iniciativa dedicada ao cuidado, à conscientização e à valorização da vida.

Golpe da biometria na entrega: não faça reconhecimento facial no celular de terceiros

Criminosos estão utilizando uma abordagem aparentemente simples para obter imagens do rosto das vítimas: apresentam-se como entregadores e afirmam que precisam realizar uma “confirmação biométrica” para liberar uma encomenda, presente ou benefício.

A orientação é clara: não faça reconhecimento facial, selfie ou gravação do rosto no celular de um entregador ou de qualquer desconhecido.

O Banco Central alerta para o chamado “golpe do presente”. Nessa fraude, a vítima é informada de que receberá um produto, cesta, brinde ou outro benefício e, no momento da entrega, o criminoso solicita dados pessoais ou uma foto do rosto sob a justificativa de finalizar o cadastro ou confirmar o recebimento. Com essas informações, golpistas podem tentar abrir contas ou contratar empréstimos por meio de reconhecimento facial.

Por que uma simples foto pode representar risco?

Hoje, diversos serviços financeiros utilizam biometria facial como uma das etapas de identificação do usuário. Por isso, imagens e vídeos do rosto podem se tornar dados valiosos nas mãos de criminosos.

O problema não se limita a uma fotografia comum. Dependendo do método utilizado, o golpista pode estar realizando uma captura específica para tentar utilizá-la em um processo de autenticação.

O próprio Banco Central orienta que as pessoas não permitam que desconhecidos tirem fotografias ou façam vídeos durante supostas entregas, justamente porque esse material pode ser usado para abertura de contas digitais ou contratação de empréstimos por reconhecimento facial.

“Preciso fazer a biometria para receber sua encomenda”

Essa frase deve acender um sinal de alerta.

Uma entrega comum não deve exigir que o consumidor coloque o rosto diante da câmera do telefone particular de outra pessoa para realizar reconhecimento facial.

Caso exista alguma validação relacionada a uma compra, benefício ou serviço, o procedimento deve ser confirmado diretamente pelo consumidor no aplicativo ou site oficial da instituição responsável, e não em um aparelho apresentado por um desconhecido na porta de casa.

Também é importante diferenciar duas situações: algumas plataformas podem utilizar reconhecimento facial para autenticar seus próprios entregadores em seus aplicativos. Isso não significa que o cliente precise fazer biometria no celular do profissional para receber uma encomenda.

Atenção especial de aposentados e pensionistas

A recomendação merece ainda mais destaque para pessoas idosas, aposentados e pensionistas, público frequentemente visado por fraudes financeiras.

Em 2026, o INSS voltou a alertar que criminosos estavam visitando residências, principalmente de pessoas idosas, apresentando-se falsamente como representantes do Instituto para coletar informações pessoais. O INSS esclareceu que não envia pessoas às residências dos segurados para solicitar esse tipo de dado.

Por isso, alguém aparecer em casa utilizando expressões como “INSS”, “prova de vida”, “benefício”, “biometria” ou “atualização cadastral” não é prova de que o procedimento seja legítimo.

Como se proteger

Ao receber uma encomenda ou presente inesperado, desconfie de qualquer exigência fora do procedimento normal de entrega. Não forneça senhas, códigos recebidos por SMS, documentos ou dados bancários e, principalmente, não permita fotografias, vídeos ou reconhecimento facial no aparelho de terceiros.

Se o entregador alegar que a validação é obrigatória, não faça o procedimento naquele momento. Entre diretamente no aplicativo ou site oficial da loja, transportadora, banco ou órgão público e confirme a informação por conta própria.

No caso de encomendas, a Receita Federal também recomenda que o consumidor trate pagamentos e demais procedimentos somente nos sites e aplicativos oficiais das empresas responsáveis. A Receita alerta ainda que possuir dados corretos da vítima — como nome, CPF, endereço ou informações da compra — não torna uma mensagem ou abordagem automaticamente verdadeira.

E se eu já tiver feito a biometria?

Caso a pessoa tenha fornecido sua imagem ou realizado reconhecimento facial em situação suspeita, é importante agir rapidamente.

O Banco Central recomenda entrar em contato com a instituição financeira envolvida assim que uma operação desconhecida for identificada. Se a pessoa não souber em qual banco eventualmente foi aberta uma conta em seu nome, é possível consultar o Relatório de Contas e Relacionamentos (CCS) pelo Registrato do Banco Central. Também é recomendável registrar boletim de ocorrência.

Além disso, devem ser verificados extratos bancários, empréstimos, descontos consignados e movimentações não reconhecidas.

Uma regra simples pode evitar grandes prejuízos

Seu rosto também é um dado pessoal.

Não entregue sua biometria a desconhecidos e não permita que terceiros façam reconhecimento facial em aparelhos que você não controla.

Quando uma biometria for realmente necessária, procure você mesmo o aplicativo ou site oficial da instituição.

Na dúvida, não faça. Confirme primeiro.

Setembro Amarelo: a saúde mental da pessoa idosa também precisa ser vista

Esse enfoque combina muito com o público do IPSEMC porque permite falar de aposentadoria, envelhecimento, solidão, perda de vínculos, autonomia, propósito e rede de apoio, sem transformar a matéria apenas numa lista de estatísticas.

Alguns pontos do material que você trouxe eu manteria, mas não publicaria determinados números sem revisão. Os dados de 5,3; 7,8; 14,8 por 100 mil e principalmente a afirmação de “uma morte para cada quatro tentativas entre idosos” aparecem em materiais secundários e mais antigos. Para uma publicação institucional, é melhor usar informações respaldadas diretamente por Ministério da Saúde, OMS, ABP e CVV.

O que temos de bastante sólido é que o Ministério da Saúde, ao analisar os dados brasileiros de 2010 a 2021, destacou taxas mais elevadas de suicídio entre homens, especialmente homens idosos. Em 2021, o Brasil registrou mais de 15,5 mil mortes por suicídio.

A OMS também chama atenção especificamente para a população idosa. Segundo sua atualização mais recente, cerca de 16,6% das mortes por suicídio no mundo ocorrem entre pessoas com 70 anos ou mais. A organização destaca como fatores associados à saúde mental nessa fase da vida o luto, redução da renda, perda de propósito após a aposentadoria, diminuição da capacidade funcional, isolamento social, solidão, doenças crônicas e situações de abuso.

Isso nos dá uma abordagem muito boa para a matéria:

A aposentadoria pode trazer liberdade e novas possibilidades, mas também representa uma grande mudança de rotina e identidade. Para algumas pessoas, ela coincide com perda de contatos cotidianos, redução da participação social, problemas financeiros, doença, luto ou sensação de não ter mais a mesma utilidade. Esses fatores não significam que alguém necessariamente desenvolverá depressão ou comportamento suicida, mas podem aumentar a vulnerabilidade quando se acumulam. A OMS inclui perda, solidão, problemas financeiros, dor e doenças crônicas entre fatores associados ao comportamento suicida.

Também acho importante corrigirmos uma coisa da pesquisa que você trouxe: Setembro Amarelo não foi criado pelo CVV em conjunto com a ABP em 2014. A própria ABP informa atualmente que sua campanha Setembro Amarelo foi criada em 2013, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

Outro ponto que eu exploraria bastante é este:

Nem todo sofrimento aparece como pedido de ajuda

Na pessoa idosa, é fácil a família interpretar alterações emocionais como simplesmente “coisa da idade”. Mas isolamento progressivo, perda de interesse, desesperança, abandono do autocuidado e falas recorrentes sobre morte ou sobre ser um peso merecem atenção.

Eu evitaria na matéria uma lista muito gráfica de meios ou objetos associados a tentativas. Para comunicação preventiva, é mais apropriado orientar o leitor sobre mudanças de comportamento e como agir, sem detalhar métodos.

E há uma mensagem que considero central:

Perguntar, ouvir e procurar ajuda não incentiva o suicídio. O silêncio e o estigma podem dificultar que uma pessoa em sofrimento procure atendimento.

A própria OMS destaca que o estigma relacionado à saúde mental e ao suicídio é uma das razões pelas quais muitas pessoas não buscam ajuda.

O papel da família e dos vínculos sociais

Aqui temos um ótimo elo com Educação Previdenciária e preparação para aposentadoria. Saúde na aposentadoria não é apenas receber benefício ou ter estabilidade financeira. É também preservar vínculos, ter atividades significativas, continuar participando da comunidade e construir novos projetos de vida.

A OMS afirma que isolamento social e solidão atingem aproximadamente um quarto das pessoas idosas e constituem importantes fatores de risco para problemas de saúde mental nessa fase.

Por isso, a matéria pode trabalhar coisas bastante práticas: manter contato regular com familiares e amigos, participar de atividades coletivas, procurar novos interesses depois da aposentadoria, manter acompanhamento de saúde e não tratar sintomas depressivos como consequência inevitável do envelhecimento.

E onde buscar ajuda?

Aqui vale colocar um quadro destacado no final.

O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias, em todo o Brasil, com apoio emocional sigiloso e anônimo.

Em situação de risco imediato, porém, o correto é procurar um serviço de urgência/emergência de saúde, e não depender apenas do CVV.

Eu faria essa matéria com um título talvez ainda mais forte:

Setembro Amarelo: envelhecer também exige cuidado com a saúde emocional

e subtítulo:

Solidão, luto, mudanças provocadas pela aposentadoria e perda de autonomia podem afetar a saúde mental na terceira idade. Reconhecer sinais e fortalecer vínculos também é prevenção.

Esse, para mim, seria um dos melhores conteúdos de setembro para o blog porque não fica preso à campanha: conversa diretamente com aposentados, pensionistas e servidores que estão se preparando para essa fase da vida.

ALERTA DE SEGURANÇA: GOLPE DO FALSO ADVOGADO

Estão ocorrendo abordagens criminosas utilizando dados de processos judiciais reais para enganar clientes e solicitar pagamentos indevidos.

Como funciona o golpe?
Os golpistas monitoram plataformas do Judiciário e obtêm dados reais sobre ações em andamento (números de processos, nomes de partes e advogados). Em seguida, criam perfis falsos em aplicativos de mensagem (como o WhatsApp) utilizando a imagem ou o nome de advogados e escritórios.

Eles entram em contato afirmando que a causa foi ganha ou que há valores para receber (como alvarás ou indenizações), mas exigem o pagamento prévio de uma taxa, custa processual ou imposto via PIX ou boleto para liberar o dinheiro.

Recomendações e o que fazer:

  • Não faça pagamentos: Nunca transfira valores nem pague boletos/PIX solicitados por mensagens urgentes sem antes confirmar por outro meio.
  • Confirme a identidade do contato: Se receber uma mensagem de um número diferente, não responda por ele. Ligue para o número oficial do escritório registrado no seu contrato ou vá presencialmente ao local.
  • Consulte o canal oficial: Em caso de dúvida sobre a atuação do profissional, verifique o cadastro oficial na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Fui vítima ou alvo de tentativa, e agora?

  1. Conteste a operação: Se chegou a realizar o pagamento, entre em contato imediatamente com o seu banco para contestar a transação e tentar o bloqueio do valor.
  2. Avise seu advogado: Informe o seu profissional de confiança para que ele alerte outros clientes.
  3. Registre a ocorrência: Junte os prints das conversas e comprovantes para fazer um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil (presencialmente ou pela Delegacia Virtual) e faça a denúncia.

Golpes digitais: anúncios falsos e uso de inteligência artificial exigem atenção redobrada

Uma oferta aparece no Facebook ou Instagram prometendo condições especiais para renegociar uma dívida. A publicação traz logotipos conhecidos, linguagem aparentemente oficial e até imagens do Governo Federal. Depois de clicar, a pessoa é direcionada para uma página que parece verdadeira e passa a receber instruções para fornecer informações ou realizar pagamentos.

É justamente esse tipo de fraude que levou o Ministério da Fazenda a emitir, no dia 7 de agosto de 2026, um alerta à população sobre anúncios, e-mails, links e mensagens falsos direcionados principalmente a pessoas interessadas em renegociar dívidas.

O caso chama atenção para um problema cada vez mais presente na vida cotidiana: os golpes digitais estão ficando mais sofisticados e já utilizam inteligência artificial, identidade visual de instituições verdadeiras e até informações pessoais das vítimas para transmitir credibilidade.

Mais de 500 anúncios fraudulentos identificados em poucos meses

Levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ), divulgado pelo Ministério da Fazenda, identificou 544 anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta entre 1º de abril e 14 de junho de 2026.

Do total analisado, 38% haviam sido produzidos com uso de inteligência artificial. Outros 49% mencionavam um suposto programa chamado “Libera Brasil”, que não existe.

O estudo também constatou que 72% dos anúncios utilizavam indevidamente o nome e a imagem do Governo do Brasil ou de marcas conhecidas dos setores financeiro e de comunicação, justamente para fazer a fraude parecer verdadeira.

Esse é um aspecto importante dos golpes atuais: aparência profissional não é garantia de autenticidade.

Um anúncio bem produzido, um logotipo correto, uma fotografia de autoridade pública ou até um vídeo aparentemente verdadeiro podem ser utilizados por criminosos.

Ministério da Fazenda: renegociação não é feita por esses links

No alerta, o Ministério da Fazenda esclareceu que não existe site específico do Governo Federal para realizar a renegociação mencionada nesses anúncios fraudulentos.

A orientação é que a negociação seja realizada diretamente com as instituições bancárias. O Ministério também informou que não envia links, mensagens digitais ou SMS para que o cidadão faça esse procedimento.

Por isso, receber uma mensagem oferecendo uma facilidade financeira não significa que seja necessário tomar alguma providência imediatamente.

Antes de clicar, fornecer dados ou realizar qualquer pagamento, é fundamental procurar a instituição diretamente pelos canais que você já conhece.

Golpistas tentam criar urgência

Muitos golpes não dependem da invasão de computadores ou de conhecimentos tecnológicos extremamente avançados. Eles exploram principalmente o comportamento humano.

Essa estratégia é conhecida como engenharia social.

O criminoso procura provocar medo, curiosidade, esperança ou sensação de urgência. Pode informar que uma conta será bloqueada, que existe uma dívida prestes a vencer, que uma compra suspeita acabou de ser realizada ou, no sentido contrário, oferecer um desconto excepcional ou algum valor que estaria disponível para recebimento.

Quando a pessoa acredita que precisa decidir naquele momento, aumenta a possibilidade de agir sem conferir as informações.

Por isso, uma das atitudes mais importantes diante de uma mensagem suspeita é simples: não tenha pressa.

Brasil enfrenta bilhões de tentativas de golpes

O problema vai muito além das falsas renegociações de dívidas.

O relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, da Global Anti-Scam Alliance (GASA), estimou aproximadamente 34 bilhões de tentativas de golpes digitais contra brasileiros entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Isso corresponde a uma média estimada de mais de 200 abordagens por adulto no período.

Segundo o levantamento, cerca de 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro, com prejuízos estimados em R$ 21,2 bilhões. O WhatsApp apareceu como um dos principais canais utilizados nas abordagens fraudulentas.

Os números ajudam a mostrar por que ninguém deve pensar que golpes acontecem apenas com pessoas desatentas ou com pouco conhecimento de tecnologia.

As abordagens são repetidas milhões de vezes e estão cada vez mais bem elaboradas. Basta um momento de preocupação, confiança ou pressa para que uma pessoa seja enganada.

O criminoso conhecer seus dados não prova que a mensagem é verdadeira

Outro recurso utilizado pelos golpistas é apresentar informações reais da vítima.

Nome completo, CPF, telefone, endereço, nome de familiares ou até informações relacionadas a contratos podem aparecer durante uma ligação ou conversa.

Isso costuma causar uma falsa sensação de segurança: “Se conhece meus dados, deve ser realmente do banco”.

Não necessariamente.

Informações pessoais podem ter sido obtidas de diversas formas e depois utilizadas para tornar o golpe mais convincente.

Por isso, dados corretos apresentados pelo interlocutor nunca devem substituir a confirmação pelos canais oficiais.

Como se proteger

Algumas atitudes simples podem reduzir bastante os riscos:

  • Não clique imediatamente em links recebidos por WhatsApp, SMS, e-mail ou anúncios nas redes sociais.
  • Abra você mesmo o aplicativo oficial do banco ou digite o endereço conhecido da instituição no navegador.
  • Não forneça senhas, códigos de autenticação, tokens ou códigos recebidos por SMS.
  • Não faça transferências porque alguém afirmou que sua conta está em risco ou precisa ser “regularizada”.
  • Desconfie de ofertas financeiras vantajosas demais ou que exijam pagamento antecipado.
  • Não considere logotipo, fotografia, vídeo ou aparência profissional como prova de autenticidade.
  • Quando houver dúvida, encerre o contato e procure novamente a instituição por um canal oficial independente.
  • Converse com familiares antes de realizar um pagamento quando alguma situação parecer estranha ou urgente.

Materiais oficiais de educação digital também recomendam acessar bancos e serviços diretamente pelos canais conhecidos, em vez de seguir anúncios patrocinados ou links recebidos por terceiros.

Caiu em um golpe? Procure ajuda rapidamente

Vergonha ou constrangimento não devem impedir a vítima de procurar ajuda.

Golpistas utilizam técnicas profissionais de manipulação e podem enganar pessoas de diferentes idades, níveis de escolaridade e experiência com tecnologia.

Se houver movimentação financeira, a primeira providência deve ser entrar imediatamente em contato com a instituição financeira, utilizando seus canais oficiais.

Quando o dinheiro tiver sido transferido por Pix, é importante informar que se trata de suspeita de fraude e verificar com o banco a possibilidade de acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED). O mecanismo pode auxiliar na tentativa de bloqueio e recuperação de valores, embora a devolução não seja garantida.

Também é importante guardar mensagens, números de telefone, comprovantes, endereços de sites e capturas de tela e registrar a ocorrência junto às autoridades policiais.

Quanto mais cedo a vítima comunicar o banco e preservar as informações sobre a fraude, maiores são as possibilidades de adoção das providências cabíveis.

Informação também protege o patrimônio

Celulares passaram a concentrar bancos, documentos, contatos pessoais, compras e diversos serviços utilizados diariamente. Essa praticidade também exige novos hábitos de segurança.

Para aposentados, pensionistas, servidores e seus familiares, educação financeira e segurança digital caminham juntas. Proteger senhas, desconfiar de contatos inesperados e conferir informações antes de realizar pagamentos são atitudes que ajudam a preservar não apenas dados pessoais, mas também economias construídas durante muitos anos.

O IPSEMC, por meio de suas ações de Educação Previdenciária, reforça a importância da informação como instrumento de prevenção. Na dúvida, não clique, não pague e não forneça dados: procure primeiro o canal oficial da instituição.

Fontes consultadas

  • Ministério da Fazenda – Alerta: anúncios e e-mails falsos são usados em golpes contra quem procura renegociar dívidas, publicado em 7 de agosto de 2026;
  • Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da UFRJ – NetLab/UFRJ;
  • Global Anti-Scam Alliance (GASA) – O Estado dos Golpes no Brasil 2026;
  • Jornalismo TV Cultura – reportagem sobre tentativas de golpes digitais no Brasil;
  • Escola Virtual de Governo – orientações de segurança e proteção da vida digital;
  • Tribunal de Contas da União e Banco Central do Brasil – informações sobre proteção contra golpes e Mecanismo Especial de Devolução (MED).

Os conteúdos e instituições citados foram utilizados como fontes de informação e referência educativa. O IPSEMC não possui vínculo institucional, parceria ou representação com as entidades mencionadas, salvo quando expressamente informado.